segunda-feira, 28 de maio de 2012

DCE convoca todos para Assembleia Geral



O DCE da UFSM convoca todos os estudantes da Universidade para a Assembleia Geral dos Estudantes, a ser realizada nessa quarta (30), às 16h30 no auditório do CCR (prédio 42). A assembleia tem como pauta a greve dos docentes das universidades federais, em especial na UFSM. A intenção do DCE em convocar a assembleia é esclarecer para os estudantes as pautas da greve e definir em conjunto com os estudantes posições e encaminhamentos.

Leia Mais:
Posição Política do DCE UFSM sobre a greve dos professores
Evento no Facebook



Uma greve por uma Universidade Democrática e Popular 

O momento pelo qual passamos é de mobilização e unidade entre as categorias por uma Universidade Democrática e Popular. A expansão da universidade pública garantiu maior acesso, porém veio sem o devido investimento em estrutura, contratação de trabalhadores e assistência estudantil, além de não questionar o caráter do ensino tradicional e conservador.

Nesse momento é necessária a luta por direitos dos trabalhadores, para garantir as condições de trabalho e ensino. Também é preciso garantir condições de permanência dos estudantes. Para isso defendemos o investimento de 10% do PIB na educação, além da nossa disputa aqui na UFSM. 

Porém nossa luta deve ir além. Trabalhadores e estudantes lutam pela qualidade do ensino, mas também devem lutar por outro papel para a Universidade Pública, por democracia na Universidade, uma educação menos fragmentada e vinculada à realidade da população! 

Venha discutir a greve e construir a luta dos estudantes!

Nota Pública

                                                                          Nota Pública


                                                           Frederico Westphalen, 24 de maio de 2012


Aos 24 dias do mês de maio de 2012, os estudantes da UFSM/CESNORS, campus de Frederico Westphalen, estiveram reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, principal instância deliberativa do DCE, na qual a grande maioria dos presentes optou pela PARALISAÇÃO ESTUDANTIL em apoio à greve dos professores, pois entendemos a importância das reivindicações da classe para a melhoria da educação. A Paralisação Estudantil vai até findar a greve dos professores. Além das pautas reivindicadas pelos professores, também defendemos:
- Contratação de mais professores efetivos, em especial para os cursos da UFSM Campus Frederico Westphalen;
- Realização de concursos públicos para técnicos administrativos para o CESNORS;
- Mais laboratórios e melhoria dos laboratórios atuais;
 - A curricularização da extensão, fazendo com que ela faça parte de 25% dos currículos dos cursos;
- Conversão de bolsas trabalho em bolsas de ensino, pesquisa e extensão;
- Assistência Estudantil de qualidade em toda a UFSM e ampliação do número de CEUs no CESNORS;
- Teto para acesso ao benefício sócio-econômico de um salário mínimo e meio, como determinação do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAEs);
- Que a PRAE esteja mais presente em todos os campi da UFSM, e pela criação de uma secretária da PRAE em todos os campi;
- Pela ampliação do quadro de servidores do NAP;
- Transporte gratuito inter-campi;
- Paridade nos Conselhos Superiores, em Conselhos de Centro e Colegiados de Curso;
- Congresso Estatuinte da UFSM Paritário;
- 10% do PIB para a educação

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Porque ser Vadia?


Santa Maria realiza no dia 2 de junho, às 14h na Concha Acústica do Parque Itaimbé.

Porque ser Vadia?
Por Gil Piauilino*

Em janeiro de 2011, na Escola de Direito Osgode Hall em Toronto no Canadá, um policial ministrava uma palestra sobre segurança para as/os estudantes. Em determinado momento da palestra disse: “As mulheres devem evitar vestir-se como vadias, para não se tornarem vítimas de ataques”. Logo depois as estudantes dessa mesma Universidade saíram às ruas em protesto contra o discurso de culpabilização das vítimas de violência sexual e de qualquer outra forma de violência contra as mulheres, e dizendo não, minha roupa não é um convite ao estupro. Foi a primeira Slut Walk!
No Brasil, no segundo semestre desse mesmo ano, traduzindo a “Slut Walk”, a Marcha das Vadias ocorreu em diversas cidades brasileiras. Internacionalmente a Marcha atingiu mais de 10 países. Este ano a Marcha das Vadias da Capital Federal segue o calendário da Marcha Nacional da Vadias, 26 de maio. Em 2011 foram mobilizadas mais de 2 mil pessoas e nesse ano a expectativa é ainda maior: 5 mil mulheres, homens e crianças marchando pelo fim da violência contra a mulher, por seu direito de ir e vir sem sofrer nenhum tipo de humilhação, repressão ou violência.
A violência contra a mulher assume as mais variadas formas e justificativas, quantos e quantas não se pegaram dizendo ou pensando “Mas também com aquela roupa...”  “Beber que nem homem dá nisso!”  O comportamento da mulher sempre foi vigiado pela Igreja, pelo Estado, pelos pais, pelo tio, pelo irmão mais velho, pelo namorado. Esses últimos reproduzem o que a moral vigente colocou, como se a forma mais justa de nos relacionarmos fosse à subjugação de um ser pelo outro. Não importa quem sustente a casa, não importa em que grau na relação de poder a mulher se encontre, a vigilância predomina.
O misto dessa relação que subjuga a mulher, essa concepção de comportamento de que mulher é a frágil, a dócil, a mãe que padece no paraíso, - chegando até a santificar com o termo o “dom de dar a vida”. Qualquer comportamento que vá contra, não seguindo esses padrões, é encarado e respondido com violência, seja ela psicológica, física, moral, sexual ou patrimonial.
Segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado da Fundação Perseu Abramo/SESC, uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”. Diante de 20 modalidades de violência citadas, no entanto, duas em cada cinco mulheres (40%) já sofreram alguma, ao menos uma vez na vida, sobretudo algum tipo de controle ou cerceamento (24%), alguma violência psíquica ou verbal (23%), ou alguma ameaça ou violência física propriamente dita (24%).


A nossa sociedade marcada pelo patriarcado exerce em sua relação, não por acaso, uma moral burguesa, que perpassa pelo homem o poder de mando e desmando nas relações familiares e que estende a ele a autoridade sobre a mulher e os/as filhos/as e empregados/as como sua propriedade, o coloca em uma posição superior em relação à mulher, que lhe permitia em âmbito privado, não ter suas atitudes questionadas. 

Toda essa lógica ainda é concedida tanto por autoridades religiosas que compactuam com essa dominação, quanto pelo modelo de sociedade conservadora que temos e o seu modo de produção, que acabam por estimular esse tipo de hierarquia que promove a desigualdade entre homens e mulheres.
O que antes era visto apenas como caráter privado, hoje depois de muita luta vem se tornando também de esfera pública. Temos leis específicas que visam proteger as mulheres de seus agressores, tendo a Lei Maria da Penha como a principal delas. Atualmente o Governo Brasileiro por meio da SPM - Secretaria de Políticas para as Mulheres visa atender as essas e outras demandas que perpassam pelo recorte de gênero. O Estado não está dissociado da sociedade e dela compõe, e não fica livre também de visões, percepções conservadoras que incidem diretamente nas políticas. Também o Movimento de Mulheres exerce um papel fundamental de pressionar e por vezes pautar a que lógica essas políticas devem ser concebidas, visando sempre a autonomia da mulher e, com isso, sua emancipação.
Os números revelam que lógica de sociedade vivemos: segundo o Relatório Anual de 2011 do Centro de Atendimento à Mulher - Ligue 180, 93,52% das ligações com relatos de violência eram de violência doméstica e familiar; 72,23% dos casos são acometidos por companheiros e cônjuges das vítimas e 2,23% são namorados das mesmas. Há ainda um elevado número de casos de violência cometidos por ex-maridos (11,82%) e ex-namorados (4,47%). Isso demonstra que em quase 91% das agressões são acometidas por pessoas com que as vítimas tem ou tiveram vínculos afetivo.
Pode-se dizer que o âmbito familiar, sendo a família no molde conservador encarado como uma das instituições que reproduzem a lógica patriarcal, mesmo não ocorrendo violência física, há a reprodução advindas dele, o sexismo, o machismo, a homo-lesbo-bi-transfobia, misoginia, entre tantas outras formas de opressão que são manifestadas nos mais diversos lugares de convivência social.
Finalizando os números, segundo o Relatório Anual de 2011, sabe-se que 59,51% das vítimas não dependem financeiramente do agressor. De posse desses índices problematiza-se que a elaboração das políticas devem construir mecanismos para além da autonomia financeira, mas também emocional e social das mulheres.
Devemos mudar essa nossa cultura conservadora e machista que ditam regras sociais, abrindo espaço para todo e qualquer tipo de violência contra a mulher. Devemos nos espaços privados começar a repensar qual papel você exerce e quais atitudes são reproduzidas. Temos que questionar, desconstruir, não encarar como natural que a figura feminina sempre está numa relação desvantagem, o social é construído e o acaso não tem vez nas relações de poder.


A Marcha das Vadias é um movimento que vai às ruas para questionar o papel que nos é colocado enquanto mulheres. A palavra vadia tanta vezes usada para ofender e machucar, hoje passa por uma ressignificação, estratégia essa usada pelo movimento.  Porque somos chamadas de vadias a todo o momento, seja diretamente quando falamos sim e o sexo rola, seja quando dizemos não e o ego masculino fica ferido, ou seja, em qualquer mesa de bar, quando um desses casos é contado para os amigos. Somos chamadas de vadias se exercemos a nossa sexualidade livremente, tal qual o homem exerce e sendo estimulado para isso, se caso quiser. Somos chamadas de vadias se usamos um decote, uma saia, uma roupa justa enquanto essa vigilância sobre os corpos não é voltada em nenhum grau ao homem. Somos chamadas de vadias por transar com quem e quantos quisermos, vestir o que quisermos, nos comportar da maneira que mais nos agrada, somos chamadas de vadias por queremos ser livres.



Se ser livre é ser vadia, somos todas Vadias!


*Estudante de Serviço Social da UnB

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Posição Política do DCE UFSM sobre a Greve dos Professores


Os professores da UFSM decidiram em assembléia realizada hoje (23) pela adesão à greve que vem sendo construída pelo ANDES (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – Sindicato Nacional). Em todo o país, o movimento grevista já tem adesão de 47 instituições de ensino superior. As principais reivindicações dizem respeito a questões salariais, a condições de trabalho e à reestruturação do plano de carreira.

Na pauta salarial, os docentes exigem a implementação do reajuste acordado em agosto do ano passado que estabelece um aumento de 4% na folha de pagamento. No dia 10 de maio foi assinada uma Medida Provisória (MP 568) em substituição ao PL 2203/11 (o que faria com que o reajuste salarial fosse imediato) que garante o acréscimo de 4%. Há, entretanto um descontentamento no que se refere aos adicionais por insalubridade e periculosidade. O fato de hoje esses adicionais serem pagos em percentuais e o governo prever de que passarão a ser pagos em valores fixos levará, com o passar dos anos, a uma perda de valor aquisitivo.


Em relação às condições de trabalho, muitos dos novos cursos do REUNI e/ou das extensões e de novas universidades federais não tem ainda a devida qualificação física e pessoal. Faltam professores, estrutura física e, em relação aos estudantes, RUs e Casas do Estudante. Foram graças às pressões de gestões passadas do DCE que garantimos a construção do novo RU em Santa Maria, do RU em Palmeira das Missões e das CEUs no CESNORS. Será com pressões e mobilizações que o movimento docente conseguirá igualmente garantir melhores condições de trabalho, beneficiando não apenas os professores, mas também os estudantes e toda a sociedade. 

A outra reivindicação vem no sentido de cobrar o cumprimento dos prazos estabelecidos ano passado para os trabalhos da reestruturação do Plano de Carreira.. A estratificação cria diferentes classes entre os professores, baseadas em publicações de artigos em revistas e periódicos. Essa relação com as publicações estimula a lógica produtivista e de mercado da pesquisa, desvinculando a pesquisa do ensino. Já as atividades de extensão, que são as que menos recebem investimento, passam a ocupar um posto ainda mais inferior do que já vem sendo feito nas universidades. Em suma, a estratificação das carreiras torna o tripé ensino, pesquisa e extensão ainda mais desequilibrado.



 Uma greve por uma Universidade Democrática e Popular

Compreendemos que o momento é de mobilização e unidade entre as categorias por uma Universidade Democrática e Popular, para além das pautas corporativistas. A ampliação das vagas na universidade amplia o acesso, porém, garantir a permanência dos estudantes é fundamental para uma democratização radical do Ensino Superior.

Esse modelo de expansão das universidades públicas deve ser disputado pelos movimentos de educação. No ápice do neoliberalismo durante a década de 90, os professores das federais lutavam contra os PDVs (Plano de Demissão Voluntária) e a estagnação do crescimento e do investimento público em educação, hoje a luta se faz necessária pela qualidade no modelo de expansão e por condições dignas para os estudantes, professores e técnicos-administrativos.

Apenas garantir o acesso e a permanência na universidade, entretanto, não garante a profunda transformação necessária. O ensino, a pesquisa e a extensão também precisam ser repensadas e reconstruídas. O ensino deve ter um caráter libertador, que saia da lógica de educação bancária que torna os estudantes meros espectadores, “alunos” que vão às salas de aula para receber dos professores/as a “luz do conhecimento” formatada de acordo com os moldes do mercado. A pesquisa deve sair da lógica produtivista e mercadológica voltando-se às reais demandas da sociedade, servindo como uma ferramenta de disputa de hegemonia e de transformação. E só é possível conhecer essas demandas junto às comunidades. Por isso, a extensão deve ser muito mais valorizada do que o é hoje em dia. Uma universidade pública é um bem de toda a sociedade e deve servir a ela como um todo. Assim, a extensão deve servir como uma forma de retorno à sociedade, uma vez que o acesso ao Ensino Superior ainda é um privilégio.

Nessa lógica, percebemos que mesmo ao democratizar o acesso a um direito básico que é a educação, isso não tem colaborado para avançarmos na politização do debate em relação aos rumos da educação, da consciência política e do empoderamento popular. Pautar a greve , nesse sentido, é avançar no debate de sociedade e de educação que queremos.

Por isso, defendemos:
·  10% do PIB para a educação pública;
·  Contratação de mais professores efetivos, em especial para os cursos do REUNI e do CESNORS
·  Realização de concursos públicos para técnicos administrativos;
·  Mais laboratórios e melhoria dos laboratórios atuais;
·  Mais livros para as bibliotecas, construção de novas bibliotecas;
·  Acessibilidade no campus; contratação de interpretes de libras e compra de livros em braile.
·  A curricularização da extensão, fazendo com que ela faça parte de 25% dos currículos dos cursos;
·  Conversão das bolsas-trabalho em bolsas de ensino, pesquisa e extensão;
·  Paridade nos Conselhos Superiores, em Conselhos de Centro e Colegiados de Curso;
·  Congresso Estatuinte paritário;
·  Reforma pedagógica;
· Teto para acesso ao benefício sócio-econômico de um salário mínimo e meio, como determinação do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAEs);
· Avaliação dos professores pelos estudantes;
·  Gestão pública, democrática e 100% SUS dos Hospitais Universitários – Fora EBSERH!
·  Transporte Intercampi gratuito;
·  Assistência Estudantil de qualidade em toda a UFSM;

Convidamos todas e todos os estudantes da UFSM a participar da Assembleia Geral, quarta-feira (30), às 16h30 no campus da UFSM em Santa Maria.

A greve não é apenas das professoras e professores. A greve deve ser de todas e todos por uma educação transformadora e por uma universidade pública, democrática, de qualidade e socialmente referenciada!

Nota em relação à greve dos docentes nos campi de FW e PM

Os representantes do Diretório Central dos Estudantes, do campus de Frederico Westphalen vem por meio deste prestar esclarecimento sobre o movimento de greve dos docentes, que vem acontecendo em nível nacional. São mais de 40 instituições federais, num total de 59, que aderiram esse movimento, exigindo melhores condições de trabalho e reivindicam um novo plano de cargos e salários. A busca é por:

Carreira unificada, com 13 níveis de remuneração e variação de 5% entre esses níveis, além da incorporação das gratificações e porcentuais de acréscimos relativos a titulação e regime de trabalho. Do modo como está organizada, a carreira não possibilita um crescimento satisfatório para os docentes, pois da forma atual, a cada 24 meses é feito o reajuste, passando a 18 meses, desta forma possibilitando, então, o alcance do topo da carreira dentro dos 30 anos de docência. Esta forma de reajuste a cada 18 meses já é realidade para alguns Institutos Federais. 

Carreira Unificada é a finalidade desta reivindicação, onde professores dos IFs e UFs possuem carreiras diferentes, passando há uma carreira só para todos. A reivindicação vem sendo feita desde 1987, sendo que a categorias dos professores federais é uma das poucas que não foram contempladas nos últimos anos com um projeto de reestruturação. Além dessas pautas especificas da carreira os professores reivindicam melhores condições de ensino, pesquisa e extensão, mais verbas para a educação e melhores condições estruturais para as instituições federais. 

Situação no campus de Frederico Westphalen: 
Devido às particularidades dos campi UFSM de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, a mobilização pró-greve é eminente, pois além das reivindicações nacionais, existem reivindicações locais, principalmente em torno de problemas estruturais que norteiam as condições de ensino. É por este motivo que o DCE mostra-se solidário para com os professores neste momento, pois também reivindica melhores condições no modelo de educação, e baseado nisso convoca todos os estudantes do campus de Frederico Westphalen, para se fazerem presentes na assembléia do dia 24/05 onde será deliberado ou não o apoio a greve dos professores.
A categoria dos docentes entendendo as necessidades e demandas locais se unificaram e estão construindo a paralização, por tanto nós como categoria estudantil não podemos nos segregar nas ações diante desta realidade, pois estaremos prejudicando uns aos outros, se nos unificarmos entendendo a importância das pautas poderemos estar construindo a paralização estudantil. Quanto mais nos unificarmos mais avanços serão garantidos para nossa educação e mais rápido acontecerá a finalização da greve. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

DCE é Vozes Em Movimento

Na sexta-feira (18), a Gestão Vozes Em Movimento tomou posse como nova Direção Executiva do DCE da UFSM. A gestão Vozes Em Movimento tem mandato de um ano, até maio do ano que vem, com representantes de todos os campi, centros e das CEUs da UFSM. Para ver a nominata da Chapa basta acessar o link: http://vozesdceufsm.blogspot.com.br/p/nominata.html

Na posse, realizada no Auditório do DCE, estiveram presentes representantes da UFSM, de movimentos sociais e sindicais. Estiveram na mesa o vice-reitor da UFSM, professor Dalvan Reinert, a Pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis, Marian Moro; representando a ASSUFSM, o servidor Kenner Xavier; representando a CUT, Eloiz Cristino; Vanderlei Santos Perreira, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia; Evelise Martins da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB); Sérgio Marques do Coletivo Afronta da UFSM; e a Irmã Lourdes Dill, do Projeto Esperança. Pedro Sérgio da Silveira (Pedrinho) fez a fala representando a Gestão Em Frente (2010-2011); Janaina Vedoin e Iuri Muller representaram a Comissão Eleitoral. Thani Prunzel, Gisselle Soares, Marcos Lazzaretti e Adriele Manjabosco representaram a  Vozes Em Movimento.

As fotos são de Laura Coutinho e Mariana Fontoura:




























terça-feira, 15 de maio de 2012

Catacultura: Marcha das Vadias



O Catacultura desta quarta-feira (16, véspera de feriado) coloca a temática feminista em discussão, abordando as lutas femininas e a situação da mulher na sociedade atual. Neste Catacultura, além do debate, haverá mostra de vídeos e intervenção teatral. A atividade inicia às 20h, na Catacumba da Boate do DCE.

O debate é uma realização da Comissão Organizadora da Marcha das Vadias em Santa Maria, um movimento internacional contra abuso sexual e violência contra as mulheres. A Marcha das Vadias acontece no dia 02 de junho, às 14 horas, na Concha Acústica do Parque Itaimbé.

Mais:
Evento no Facebook

Sobre a Marcha da Vadias:

A Marcha das Vadias é um movimento internacional de mulheres criado em abril de 2011 na cidade de Toronto, no Canadá, em resposta ao comentário de um policial que atribuiu o modo como as universitárias se vestiam ao fato de terem sido estupradas. A partir desta Marcha, diversas manifestações nos mesmos moldes, ocorreram em mais de 30 cidades, em diversos países – como Suécia, Nova Zelândia, Inglaterra, Estados Unidos, Nicarágua, e Brasil. 

Todas essas mulheres marcham por seu direito de ir e vir, seu direito de se relacionar com quem desejar e da forma que desejar, e por seu direito de se vestir da maneira que lhes convier — sem a ameaça do estupro e, mais grave ainda, sem a ameaça da conivência social com o estuprador e da responsabilização da vítima. O mote principal da Marcha das Vadias é a situação compartilhada por mulheres de cerceamento da liberdade e objetificação sexual.

Vozes Em movimento toma posse na sexta-feira

A Gestão Vozes Em Movimento assume oficialmente o comando da Diretoria Executiva do DCE na sexta-feira, dia 18 de maio. A UFSM, sindicatos, movimentos sociais, além dos diretórios acadêmicos e os coletivos da UFSM estão sendo convidados para a cerimônia. A posse será às 19h, no Auditório do DCE (Professor Braga, 79).

O espaço é aberto para todos os estudantes da UFSM, que estão convidados a prestigiar a posse. A Gestão Vozes Em Movimento assume o DCE pelo período de um ano e tem representantes em todos os centros, campi e Casas do Estudante da UFSM.

Para saber mais acesse:

Por que a UNE me representa e, mais que isso, por quê a disputo?


Por Ariely de Castro*

É comum, no atual momento de organização do movimento estudantil brasileiro, escutarmos frases, ou até mesmo campanhas do tipo: A UNE não me representa. Com todo respeito a manifestação das divergências, mas, sendo coerente com a disputa política, digo, que este tipo de negacionismo é que não me representa. Também não concordo que a atual União Nacional dos (as) Estudantes, organizada sob a égide de uma política recuada, sem contato real com as lutas sociais no interior e nas bases das universidades brasileiras, seja o ideal daquilo que queremos, em termos de representatividade e combatividade estudantil e social.

É fato que há um entrelaçamento da condução da atual gestão majoritária da UNE com o governo, o que por óbvio causa um refluxo nas lutas e afeta a autonomia da entidade e das posições do movimento estudantil, num cenário de refluxo histórico de todos os movimentos sociais, este tipo de condição agrava mais ainda as possibilidades de enfrentamento ao capitalismo e de avanço nas conquistas estudantis.

Há concordância, em muitos pontos, a respeito dos problemas da UNE, o que não há concordância é com a estratégia de enfrentamento a estes problemas, não acredito que negar a importância desse instrumento histórico das lutas estudantis brasileiras seja o caminho, pois se ele não for usado por um projeto com firme posicionamento em defesa da classe trabalhadora, entendendo que dentro de uma sociedade burguesa os interesses de classes são inconciliáveis, certamente a entidade será usada por outro tipo de projeto, reformista ou pior: burguês, tendo em vista a pluralidade de forças que se organizam no seu interior, por tanto, o caminho pra mim é disputa, a disputa por hegemonia, disputa por dentro, mas sobretudo por fora da entidade, chegando nas bases de organização estudantil, com formação política e ação organizada, respeitando a coerência entre aquilo que se deseja alcançar em termos de lutas e transformações sociais e aquilo que fazemos pra que isso seja concretizado.

Em outras palavras, não negamos a importância desse instrumento histórico, que representa o acúmulo das forças nas lutas dos estudantes no Brasil, e que por isso mesmo ainda possuí forte referência nacionalmente e internacionalmente, e é exatamente por reconhecer essa importância que precisamos disputá-la.

É lamentável que algumas forças políticas que se organizavam e outras que ainda se organizam no interior da entidade, que poderiam estar se somando a um bloco de oposição e aumentando as possibilidades de retomada da entidade, pela esquerda, por meio de um projeto verdadeiramente revolucionário e transformador, tenham tomado caminhos mais fáceis: o primeiro de abandonar a entidade e não mais disputá-la, criando uma entidade paralela isolada, que representa basicamente as opiniões de um partido político sem base, o que não ajuda a solucionar os desafios colocados para o movimento estudantil. O segundo é reduzir suas ações políticas na UNE para meramente garantir espaços na direção da entidade, rebaixando e muito o porque de se organizar nesta, beirando o fisiologismo tão conhecido da direita brasileira, nesse último caso, considerando as forças que ainda se organizam na UNE.

Entretanto, a história é uma magnífica composição, não linear que nos dá muitas possibilidades de pensar ações. Vivemos um momento em que há um aumento inegável das contradições no interior das universidades, devido em parte pelo constante movimento de mecantilização da educação, tanto nas universidades públicas, quanto nas particulares, mas, ao mesmo tempo também pelo acesso de estudantes das classes mais baixas às universidades. É por meio da renovação política, do diálogo e da disputa de mentes e corações, deste novo perfil de estudantes é que poderemos acumular forças para trazer de volta aos caminhos das lutas sociais a nossa entidade estudantil: A União Nacional de Estudantes!

*Estudante de Serviço Social - Universidade Católica de Brasília
Coordenadora de Formação política e movimentos sociais do DCE UCB

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tributo à Legião Urbana na Boate do DCE

A Boate do DCE recebe nesta quarta-feira, dia 16 de maio, véspera de feriado em Santa Maria, a Banda Rock Class com o Tributo à Legião Urbana. A festa começa a partir da meia-noite, e segue com o tradicional som da Boate do DCE. A entrada é gratuita para estudantes universitários, não-universitários pagam R$ 5,00.

Haverá também promoção especial de cerveja, com valores Bavária R$3,00, Premium R$3,50 e Heinekein R$4,00, as fichas devem ser compradas até a 1h da manhã e consumidas até as 2h.

Comitê exibe "O dia que durou 21 anos" no Caixa Preta

O Projeto Tela Preta Café e o Comitê Santamariense pelo Direito à Memória e a Verdade exibe O dia que durou 21 anos, dentro da programação do Ciclo Cinema e Debate - Ditadura no Brasil. A exibição acontece no 16, às 19, no Teatro Caixa Preta, prédio 40 da UFSM.


O dia que durou 21 anos 
O documentário “O Dia que durou 21 anos" que apresenta os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares.



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vozes Em Movimento vence as eleições do DCE

Com 2022 votos, a Chapa 1 - Vozes Em Movimento - venceu ontem as eleições para a nova Diretoria Executiva do DCE. A nova gestão assume ainda neste mês o DCE, dirigindo a entidade por um ano. É primeira vez na história recente do DCE que uma chapa de situação emplaca quatro gestões seguidas. um ciclo aberto na Gestão Viração (2008-2009), e que seguiu pelas gestões Avante (2009-2010) e Em Frente. Com 80% de renovação em seus membros, a Vozes Em Movimento mantém estudantes que estão na atual gestão do DCE. A Chapa 2 - Caminhando Contra o Vento - teve 1635 votos.

Para Thani Prunzel, coordenadora-geral da nova gestão, a vitória foi importante para o DCE continar avançando rumo a uma universidade democrática, de qualidade e socialmente referenciada. Thani também acredita que é necessário avaliar os pontos positivos e negativos que o DCE teve nessas últimas gestões e fazer com que se amplie ainda mais os avanços na construção do Movimento Estudantil.



Confira como foi a votação na UFSM:

Total:
Chapa 1 - Vozes Em Movimento - 2022 votos
Chapa 2 - Caminhando contra o vento - 1635 votos

Prédio de Apoio
Chapa 1 - 140 votos
Chapa 2 - 90 votos

Antiga Reitoria
Chapa 1 - 69 votos
Chapa 2 - 72 votos

CCSH Campus
Chapa 1 - 169 votos
Chapa 2 - 271 votos

CT
Chapa 1 - 102 votos
Chapa 2 - 153 votos

CCS
Chapa 1 - 74 votos
Chapa 2 - 250 votos

CCR
Chapa 1 - 217 votos
Chapa 2 - 113 votos

CAL
Chapa 1 - 63 votos
Chapa 2 - 82 votos

Politécnico
Chapa 1 - 58 votos
Chapa 2 - 98 votos

CTISM
Chapa 1 - 77 votos
Chapa 2 - 84 votos

CCNE
Chapa 1 - 166 votos
Chapa 2 - 111 votos

CE
Chapa 1 - 171 votos
Chapa 2 - 69 votos

UDESSM
Chapa 1 - 37 votos
Chapa 2 - 10 votos

CESNORS e CAFW/ Frederico Westphalen
Chapa 1 - 373 votos
Chapa 2 - 67 votos

CESNORS/Palmeira das Missões
Chapa 1 - 269 votos
Chapa 2 - 13 votos

Nulos - 53 votos
Brancos - 34 votos

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vídeo do Debate do RU










Comissão Eleitoral divulga nota em relação a campanha irregular da Chapa 2

A Comissão Eleitoral do Conselho de Entidades de Base divulgou nota manifestando seu descontentamento frente as atitudes da Chapa 2 - Caminhando Contra o Vento, expostas em denúncia encaminhada a Comissão. No Conselho de Entidades de Base que definiu as regras da eleição, ficou proibida a participação de estudantes de fora da UFSM em passadas em sala de aula. 

Na foto, registrada no Colégio Agrícola de Frederico Westphalen, Hercules Gonzales, estudante de agronomia da UFPel e membro do Coletivo Barricadas Abrem Caminhos aparece fazendo campanha em sala de aula para a Chapa 2. O mesmo estudante da UFPel é mais uma vez flagrado em vídeo realizando campanha em sala de aula, dessa vez no Colégio Politécnico em Santa Maria.

A Comissão esclarece que as chapas estão proibidas de fazer campanha com estudantes de fora UFSM em passadas em sala de aula.

Confira a foto, o vídeo e a nota da Comissão Eleitoral:

Foto registra a presença de estudante de fora da UFSM em passada no Colégio Agrícola


video




Nota de esclarecimento da Comissão Eleitoral – 08/05/2012 

Na noite do dia sete de maio (segunda-feira), a Comissão Eleitoral recebeu das mãos da Chapa 1 – “Vozes em Movimento” uma denúncia de que a campanha da Chapa 2 – “Caminhando contra o vento” estaria ocorrendo fora dos limites definidos pelo regimento eleitoral. 

A denúncia consistiu na apresentação de fotos e vídeos que mostram um estudante matriculado em uma instituição de ensino de outra cidade participando da campanha realizada pela Chapa 2 em salas de aula no campus de Frederico Westphalen. Conforme deliberação do Conselho de Entidades de Base (CEB) prévio à eleição, a presença em salas de aula estaria restrita a estudantes e apoiadores de Santa Maria. No entanto, diante da inexistência da dita deliberação no regimento eleitoral e do fato da ata do Conselho não ter sido redigida pela mesa diretora, como estabelece o estatuto, a Comissão Eleitoral se abstém de possíveis punições.  A já mencionada Comissão lamenta a ausência da ata que possibilitaria uma maior atuação diante do ocorrido, já que a redação do documento não estava, como é sabido, entre as suas responsabilidades. 

Por outro lado, a Comissão também anuncia o descontentamento com a postura da Chapa 2 – “Caminhando contra o vento” diante de uma deliberação que era assumidamente conhecida e que, por ainda correr em um âmbito não oficial, foi desobedecida. Para evitar futuras confusões sobre o mesmo tema, a Comissão Eleitoral estabelece, em adendo sobre o regimento aprovado no último CEB, que fica terminantemente proibida a presença de estudantes de outras instituições que não a Universidade Federal de Santa Maria nas atividades realizadas dentro das salas de aula no último dia de campanha eleitoral, oito de maio, quarta-feira.

Atenciosamente,

A Comissão Eleitoral
Bernardo Cadó
Geisi Antonello
Iuri Müller
Janaina Vedoin
Pedro Henrique Bernardi

Cinema e Debate - Ditadura no Brasil

O Projeto Tela Preta Café e o Comitê Santamariense pelo Direito à Memória e a Verdade, apoiado e construído pelo DCE, apresenta o Ciclo Cinema e Debate - Ditadura no Brasil. As exibições acontecem nos dois 10, 16 e 24 de maio, no Teatro Caixa Preta, prédio 40 da UFSM, às 19h.

No dia 10 de maio será exibido o filme Que Bom Te Ver Viva, seguido de O Dia que durou 21 anos no dia 16 e de Perdão Mr. Fiel no dia 24


terça-feira, 1 de maio de 2012

Um livro para o túmulo de Cilon Brum, desaparecido do Araguaia

Por Diorge Konrad*
Publicado originalmente no Portal Vermelho

Araguaia, Xambioá, Marabá, Partido Comunista do Brasil, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, João Amazonas, Elza Monerat, Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão), Dinalva Oliveira Teixeira (Dina), Criméia Schmidt de Almeida, André Grabois, Bérgson Gurjão Farias, Helenira Resende, Maria Luiza, Jaime e Lúcio Petit, Glênio Sá, Micheas Gomes de Almeida (Zezinho do Araguaia), Carlos Danielli, José Huberto Bronca (Zeca Fogoió), Paulo Mendes Rodrigues (Paulo), João Carlos Haas Sobrinho (Juca), entre tantos militantes, guerrilheiros e camponeses.[1]

Todos, mas todos eles mesmos, cada vez mais conhecidos pelos brasileiros. Nomes que negam o discurso conservador de que o povo brasileiro é acomodado, máxima das classes dominantes do País. Fazem questão de esconder Zumbi dos Palmares, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, as lutas pela Independência econômica que o Brasil persegue até hoje. Tentam negar ou descaracterizar a Revolta dos Malês, a Balaiada, a Cabanagem, a Farroupilha, o fim da escravidão, Canudos, Contestado, o Tenentismo, a Aliança Nacional Libertadora de 1935, as Ligas Camponesas, o MASTER e o MST, Trombas e Formosos, a Campanha da Legalidade, as lutas contra o Estado Novo e a Ditadura Civil-Militar, as “Diretas Já” e o Impeachment de Collor, a Eleição de Lula em 2002 e muito mais.

Mas o processo histórico de conscientização dos índios, dos negros, dos proletários, das mulheres e tantos outros segmentos e classes sociais em luta por sua libertação, massacrados, presos, torturados e exilados pelos opressores tem teimado em se levantar.

Não adianta! A Guerrilha do Araguaia (1972-1975) está nas páginas de nossa História, nas entranhas de nossa formação social e econômica. Apesar de muitos livros didáticos ainda a esconderem, apesar da parte da historiografia e das ciências sociais a omitirem, os acontecimentos dos Araguaia estão vivos. E viva está a memória sobre os guerrilheiros mortos.

Viva porque a morte física dos guerrilheiros do Araguaia resultou na continuidade dos ideais por liberdade e democracia, ainda inconclusos em nosso País. É LIBERDADE E DEMOCRACIA SIM, aos que tem tentado igualar ditadores e torturadores com aqueles que deram suas vidas para, inclusive, vocês poderem falar até de Ditadura sem responder a inquéritos policiais militares.

Aqui, resta apenas a triste marca daqueles que tem sido citados como referência pelos que praticaram ou continuam defendendo o Terrorismo de Estado praticado no Brasil entre 1964 e 1985.

As próprias Forças Armadas, porém, registraram em seus anais: a Guerrilha do Araguaia foi “o mais importante movimento armado do Brasil Rural”. Por isso mobilizaram mais de vinte mil militares para derrotar menos de cem guerrilheiros, os quais foram para a região de Xambioá-Marabá a partir de 1966, com o objetivo de enfrentar a Ditadura pela estratégia da Guerra Popular. Falar do Araguaia para as novas gerações é reviver aqueles dias de luta de muitos brasileiros que ali tombaram. Não por “idealismo”, mas pela consciência engajada de que muito deveria ser feito para terminar com as práticas fascistas pelas quais passava o Brasil daqueles tempos.

Sob o comando do PCdoB, inspirados na Revolução Chinesa, dezenas de militantes e quadros, perseguidos e negados em seus direitos políticos saíram de várias cidades para organizar outros lutadores sociais do Sul do Pará e o norte de Goiás, atual Tocantins. Quando a repressão os procura, foi lançada as reivindicações da União pela Liberdade e pelo Direito do Povo (ULDP), em 1970.

Dois anos depois, em abril de 1972, descobertos, inicia o combate aos guerrilheiros e dos combatentes contra os militares, derrotados inicialmente. Em setembro do mesmo ano, novos contingentes das Forças Armadas instauram o medo o terror, torturam camponeses, mas não conseguem derrotar os destacamento de resistência.

Mas a partir de 1973, a repressão recrudesce, até com especialistas vindos do exterior e treinados no combate à luta pela libertação do Vietnam. O mapeamento da região pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) e o cerco do território da Guerrilha, impõe no Natal deste ano a principal derrota, eliminando a Comissão Militar dos guerrilheiros e matando mais de vinte combatentes.

Para São Sepé, uma cidade do centro do Rio Grande do Sul, e a família Brum, o Araguaia lembra Cilon Cunha Brum (Comprido ou Simão), desaparecido justamente naquele momento. Lembra uma cidade que tem um túmulo e nele uma foto, mas que ainda aguarda um corpo, o corpo do menino que foi para São Paulo estudar economia e dirigir o DCE da PUC, posteriormente se transferindo para a região do Araguaia, chegando a se tornar vice-comandante do Destacamento “B” e iniciando uma História que ainda não acabou.

Depois de mais de trinta e cinco anos de busca, a família Cunha Brum começou a descobrir mais sobre o paradeiro de Cilon. Em 2009, o famigerado oficial do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, um dos chefes da repressão ao Araguaia, admitiu para O Estado de S. Paulo que os militares executaram vários guerrilheiros capturados, entre os quais o sepeense Cilon Cunha Brum. O jornalista Lino Brum Filho e irmão de Cilon, na época, escreveu um artigo publicado no Diário de Santa Maria, chamado Sem perdão! Cadê o corpo, reivindicava Lino, em nome da mãe de ambos, dona Eloá Cunha Brum, a vó Lóia, então falecida e uma das nossas mães de desaparecidos, dos outros irmão e sobrinhos, em nome de todos nós que queremos saber o que foi feito com Cilon.

Esta trajetória agora ganha novos esclarecimentos pela pena de Liniane Haag Brum, através do livro Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia. Sobrinha e afilhada, batizada por Cilon na clandestinidade, em 1971. Como Liniane mesmo diz na introdução, foram necessários mais de trinta anos para que ela decidisse “enfrentar o estigma do medo e do segredo”[2], pois desde menina só fazia ouvir e lembrar do tio que fora visto pela última vez pela família justamente quando viera a São Sepé para deixar nela a missão de contar parte da história do guerrilheiro do Araguaia.

Lançado em São Paulo e Porto Alegre, na cidade de Cilon e em Santa Maria estes respectivamente em 26 e 27 de abril recente, reuniu queridos da autora, representantes dos movimentos sociais e políticos, militantes do Partido Comunista do Brasil. Todos com muita emoção e com exigência sobre o paradeiro do corpo.

Em Santa Maria, no auditório lotado da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria, em promoção do Departamento de História da UFSM e do Comitê pelo Direito à Memória e à Verdade, alguns complementaram os depoimentos emocionantes da mesa que teve Liniane e Lino, antes da sessão de autógrafos. Entre eles: Eduardo Rolim, ex-vereador da cidade pelo PTB, cassado após 1964, militante local da Campanha da Legalidade e militante histórico do PDT; Dartagnan Agostini, militante do PCdoB desde 1965, com passagem pelas celas da Operação Bandeirantes (OBAN), em São Paulo; Yuri Rosa de Carvalho, mestrando em História da UFSM, neto de Devanir José de Carvalho e sobrinho-neto de Derly, Daniel, Joel e Jairo de Carvalho, militantes do PCdoB, da Ala Vermelha, do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), alguns deles também mortos e desaparecidos políticos.

A noite foi um marco! Continuar divulgando o que aconteceu no Araguaia e com Cilon Cunha Brum é ajudar a construir e consolidar a memória e a verdade negada para muitos desde aqueles anos, em particular para a família Cunha Brum.

Quando a exploração social deixar de existir no Brasil, aí sim a Guerrilha do Araguaia terá fim. Cilon Cunha Brum não!! Este nunca mais deixará de estar na História de luta de tantos brasileiros que deram a vida pelo socialismo, que deram a vida para que continuemos em frente, pois como já disse Moacyr Oliveira Filho, em artigo neste Portal, parafraseando a autora e falando do livro que foi um presente que lhe caiu no colo, “Cilon não foi enterrado. Foi semeado. Deixado em cima da terra como grão que um dia vai germinar”.[3] 

Obrigado Liniane por nos dizer mais sobre isto, com a ajuda de gente traumatizada, os camponeses do Araguaia que tiveram suas casas queimadas e suas roças destruídas, como você mesmo nos conta. Até que Cilon seja encontrado, que seu livro seja depositado no túmulo de São Sepé, pois ele foi até agora o Cilon mais por inteiro que conseguimos. Obrigado por compartilhar suas cartas a Vó Lóia, a quem você contou muito do que foi sabendo desde 1971, mesmo que tenhas “adiado” a última carta. Ela agradece também, assim como a todos nós que esperávamos você, “cerzindo pedaços” para nos contar o que precisava ser dito neste livro extraordinário com tanta “dor e beleza (..) esse tempo antes do passado (...) sempre o lugar do tio Cilon. O recanto dele, íntegro e inteiro. Um lar onde passamos a limpo sua vida e feições. Nosso canto de polir palavras com panos plácidos e puros. E ponto”.[4]

Notas

[1] Aqui e em algumas passagens adiante, incorporo e atualizo alguns trechos de um pequeno artigo, em uma publicação “singela e amorosa”, como disse Jussara Cony, organizadora de um pequeno livro que homenageou Cilon Cunha, em 2003. Ver: KONRAD, Diorge Alceno. Araguaia: lutando pela liberdade e pela democracia. In. Para não esquecer Araguaia. Em memória do gaúcho Cilon. 1973-2003. Porto Alegre:Gabinete da Deputada Jussara Cony – PCdoB/Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, 2003, p. 7 a 10.

[2] BRUM, Liniane Haag. Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2012, p. 11.

[3] OLIVEIRA FILHO, Moacyr. Cilon não foi enterrado, Foi Semeado! Disponível em: http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=180803&id_secao=1. Acesso em 29 abr.2012.

[4] BRUM, op. cit., p. 255 e 260.


* Professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação do Curso de História - Licenciatura Plena e Bacharelado e do Departamento de História da UFSM, Doutor em História Social do Trabalho pela UNICAMP

Estudantes realizam a I Caminhada Ecológica em Frederico Westphalen

Do Blog do II ERA SUL

Estudantes da FEAB – Federação dos Estudantes da Agronomia do Brasil, ABEEF – Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal, ENEBio – Entidade Nacional de Estudantes de Biologia, bem como os Estudantes Secundaristas, o Movimento Estudantil e o Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA organizaram-se na manhã desta segunda-feita, 30 de abril 2012, para a I Caminhada Ecológica de Frederico Westphalen com o lema: “Um novo mundo existirá se o construirmos!”. Estiveram presentes também a Escola Cardeal Roncalli e a Escola Estadual de 1º Grau Cons Edgar Marques de Mattos, do município. 

O objetivo é mostrar para a sociedade quais são as questões que giram em torno do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos, onde cada brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxicos por ano, dados este da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por meio desta interatividade com a mesma, foi possível explanar um pouco daquilo que está sendo abordado nesses 4 dias do II ERA Sul, de que não estamos isentos de, todos os dias, ingerirmos agrotóxicos em nossa alimentação. Por isso, se faz necessária a discussão da Agroecologia como uma Ciência e também como um modo de vida. 

A ideia da I Caminhada Ecológica surge da necessidade de debatermos e mostrar para sociedade que a juventude está interessada e que tem conhecimento do que está acontecendo, a caminhada teve o enfoque de denunciar a problemática dos agrotóxicos, teve como principal objetivo debater isso e levar para a sociedade. Para que possamos debater novas formas de produção, que sejam saudáveis, viáveis e sustentáveis. “O contato se deu no decorrer do planejamento do II ERA Sul e fomos bem recebidos por toda a direção, apoiando a iniciativa e liberando os alunos para que viessem participar, e vieram em grande número, isso mostra a boa aceitação e conseguindo debater sobre o tema com as escolas”, destaca o acadêmico do Curso de Engenharia Florestal e militante da ABEEF, Marcos Lazzaretti. 

Para a professora de português da Escola Cardeal Roncalli, Marlei Piccin, “este é um bom trabalho que dever ser feito, apoiado e valorizado, destacando os males que os agrotóxicos trazem para a saúde humana. A conscientização deve ser feita desde pequenos e isso é o papel da escola, contribuir com a formação e conscientização das crianças”. A caminhada foi o ponto inicial o 1º passo para nós estarmos iniciando este debate nas escolas públicas e na Universidade, trazendo a problemática do “veneno na mesa” para que possa ser discutido e debatido, pois não adianta esconder, e, ao longo deste debate, começar a levantar alternativas, construindo uma nova forma de agricultura, que é a Agroecologia, destaca a comissão organizadora do evento. 

A caminhada teve uma boa repercussão com mais de 450 estudantes, onde foi possível realizar o diálogo com a sociedade com a entrega de mudas e sementes. “Tem que ficar claro que é essa a realidade que está dada, também somos responsáveis por isso, pois no modelo atual de produção, não somos só consumidores, mas também somos responsáveis por construir uma nova alternativa, para isto não se agravar ainda mais, nós jovens temos essa responsabilidade de pensar novas alternativas e trazer este debate para dentro da Universidade”, conclui Marcos Lazzaretti.